A Tristeza é uma Velha Amiga
A Tristeza é uma Velha Amiga
Dizem que a alegria é ouro,
que o riso é a maior riqueza.
Mas quem nunca sentou em silêncio
jamais conheceu a natureza
da lágrima que lava a alma,
nem o valor da tristeza.
Há festas que fazem esquecer,
há lutos que fazem lembrar.
Enquanto a música distrai os olhos,
o silêncio ensina a enxergar.
Foi num cemitério,
entre nomes gravados em pedra,
que descobri
que toda pressa termina imóvel
e que todo orgulho
acaba debaixo da mesma terra.
Ali compreendi
que o amanhã não pertence aos fortes,
nem aos ricos,
nem aos sábios,
nem aos felizes.
O amanhã pertence a Deus.
A tristeza não veio para destruir.
Ela veio perguntar:
“Você sabe quanto vale
o tempo que ainda respira?”
Ela desacelera o relógio.
Ela impede que a vida
escorra pelos dedos
sem que ninguém perceba.
A alegria dança.
A tristeza contempla.
A alegria celebra o presente.
A tristeza conversa com a eternidade.
Mas cuidado…
Olhar demais para o abismo
é ensinar o abismo
a decorar o seu rosto.
Existe uma linha invisível
entre aprender com a dor
e morar dentro dela.
Por isso,
não fuja da tristeza.
Mas também
não construa uma casa
no lugar onde deveria existir
apenas uma visita.
Quando ela chegar,
sente-se ao seu lado.
Chore.
Ore.
Lembre-se
dos que carregam cruzes
muito maiores que a sua.
Lembre-se
das crianças que perderam o lar,
dos que dormem com fome,
dos que já esqueceram
o significado da palavra esperança.
Talvez então
a sua própria dor
aprenda a falar mais baixo.
Porque uma lágrima sincera
não diminui o homem.
Ela o humaniza.
A tristeza pode ser
uma porta estreita.
Quem passa por ela
descobre que Deus
também caminha devagar.
Ele estava no ontem,
está no agora
e continua vindo
no amanhã.
É por isso
que nenhuma noite
recebe o direito
de se declarar eterna.
Continue andando.
Mesmo quando não houver força
para correr.
Mesmo quando não houver vontade
de sorrir.
Mesmo quando tudo o que você conseguir
for apenas respirar.
Respire.
Cada passo
é uma oração silenciosa.
Cada amanhecer
é Deus dizendo:
“Ainda não terminei.”
A alegria ensina a agradecer.
A tristeza ensina a compreender.
As duas são necessárias.
Porque uma vida
que nunca conheceu o choro
talvez nunca tenha aprendido
a amar.
No fim,
descobrimos que não somos feitos
apenas de risos.
Somos feitos
da coragem de continuar.
Na alegria.
Na tristeza.
Na esperança.
Até que o amanhã,
esse velho mistério,
abra novamente suas portas
e Deus,
como sempre,
nos encontre caminhando.
Deus abençoe a reflexão. Luz p’ra nós!