Julho 11, 2026

A Tristeza é uma Velha Amiga

Por Rogerio Souza
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A Tristeza é uma Velha Amiga

 

 

Dizem que a alegria é ouro,
que o riso é a maior riqueza.
Mas quem nunca sentou em silêncio
jamais conheceu a natureza
da lágrima que lava a alma,
nem o valor da tristeza.

Há festas que fazem esquecer,
há lutos que fazem lembrar.
Enquanto a música distrai os olhos,
o silêncio ensina a enxergar.

Foi num cemitério,
entre nomes gravados em pedra,
que descobri
que toda pressa termina imóvel
e que todo orgulho
acaba debaixo da mesma terra.

Ali compreendi
que o amanhã não pertence aos fortes,
nem aos ricos,
nem aos sábios,
nem aos felizes.

O amanhã pertence a Deus.

A tristeza não veio para destruir.
Ela veio perguntar:

“Você sabe quanto vale
o tempo que ainda respira?”

Ela desacelera o relógio.
Ela impede que a vida
escorra pelos dedos
sem que ninguém perceba.

A alegria dança.
A tristeza contempla.

A alegria celebra o presente.
A tristeza conversa com a eternidade.

Mas cuidado…

Olhar demais para o abismo
é ensinar o abismo
a decorar o seu rosto.

Existe uma linha invisível
entre aprender com a dor
e morar dentro dela.

Por isso,
não fuja da tristeza.

Mas também
não construa uma casa
no lugar onde deveria existir
apenas uma visita.

Quando ela chegar,
sente-se ao seu lado.

Chore.

Ore.

Lembre-se
dos que carregam cruzes
muito maiores que a sua.

Lembre-se
das crianças que perderam o lar,
dos que dormem com fome,
dos que já esqueceram
o significado da palavra esperança.

Talvez então
a sua própria dor
aprenda a falar mais baixo.

Porque uma lágrima sincera
não diminui o homem.

Ela o humaniza.

A tristeza pode ser
uma porta estreita.

Quem passa por ela
descobre que Deus
também caminha devagar.

Ele estava no ontem,
está no agora
e continua vindo
no amanhã.

É por isso
que nenhuma noite
recebe o direito
de se declarar eterna.

Continue andando.

Mesmo quando não houver força
para correr.

Mesmo quando não houver vontade
de sorrir.

Mesmo quando tudo o que você conseguir
for apenas respirar.

Respire.

Cada passo
é uma oração silenciosa.

Cada amanhecer
é Deus dizendo:

“Ainda não terminei.”

A alegria ensina a agradecer.

A tristeza ensina a compreender.

As duas são necessárias.

Porque uma vida
que nunca conheceu o choro
talvez nunca tenha aprendido
a amar.

No fim,
descobrimos que não somos feitos
apenas de risos.

Somos feitos
da coragem de continuar.

Na alegria.

Na tristeza.

Na esperança.

Até que o amanhã,
esse velho mistério,
abra novamente suas portas
e Deus,
como sempre,
nos encontre caminhando.


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