Julho 11, 2026

A Injustiça dos Olhos Apressados

Por Rogerio Souza
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Quem Só Vê a Fogueira

Há quem olhe a chama
e nunca pergunte
quem cortou a lenha.

Há quem inveje o descanso,
mas nunca deseje
o peso dos dias
que o tornaram possível.

Vê a cadeira.
Não vê as mãos calejadas.

Vê o galpão.
Não vê as paredes
erguidas por anos de esperança.

Vê a mesa posta.
Não vê o pão
amassado pelo suor.

É fácil julgar
quando se conhece apenas
o último capítulo.

Difícil
é amar o trabalho escondido,
aquele que Deus contempla
quando ninguém mais aplaude.

Chamam de vida boa
o que nasceu de incontáveis renúncias.

Chamam de sorte
o que foi construído
com disciplina,

e persistência.

Mas a árvore
não pede licença
para crescer.

Ela apenas finca raízes
onde muitos enxergavam
terra seca.

Assim também é o Reino.

Não se levanta
com discursos.

Levanta-se
com homens e mulheres
que carregam pedras,
acendem fogueiras,
estendem mesas
e deixam sempre
mais um lugar vazio,
esperando pelo próximo irmão.

Se alguns olham
e sentem inveja,

que sintam.

A inveja também reconhece,
mesmo sem admitir,
que encontrou algo
que gostaria de possuir.

Enquanto isso,

continuamos.

Construindo.

Servindo.

Plantando.

Porque quem vive para Deus
não trabalha
para provar alguma coisa ao mundo.

Trabalha
porque descobriu
que servir
é a forma mais alta
de liberdade.

E quando a noite cair,

e a fogueira aquecer
aqueles que chegarem cansados,

ninguém lembrará
quem cortou a lenha.

Mas Deus lembrará.

E isso,
desde o princípio,
sempre foi suficiente.

 

https://youtu.be/UHriIKtevjo


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