Julho 11, 2026

Filhos da Promessa

Por Rogerio Souza
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Filhos da Promessa

Quando o deserto ainda aprendia
a soletrar o nome de Deus,
um velho ouviu que seria pai
e uma mulher sorriu do impossível.

Sara riu,
não por desprezo,
mas porque o tempo
já havia lhe embranquecido os sonhos.
Ainda assim,
o impossível encontrou um ventre,
e a promessa ganhou um berço.

Antes disso,
reis cobiçaram sua beleza,
palácios abriram seus portões,
mas nenhuma coroa
pôde possuir
aquilo que o céu havia separado.

As pragas falaram
onde as palavras seriam inúteis,
e o poder curvou-se
diante do invisível.

No silêncio das tendas,
Agar recebeu uma missão
que mudaria a história.
Seu filho nasceu sob o sol do deserto,
e Deus ouviu seu choro
quando o mundo já a julgava esquecida.

De um pai
brotaram caminhos diferentes.

Ismael tornou-se
o pai de povos errantes,
cavaleiros das dunas,
filhos do vento
e da imensidão.

Isaque herdou a promessa.
Dele nasceu Jacó,
e de Jacó,
doze filhos
como doze estrelas
costuradas sobre a mesma noite.

Mas também nasceu Esaú,
senhor das montanhas vermelhas,
irmão de sangue,
adversário da história.
Porque nem toda divisão
nasce entre estranhos;
algumas começam
no mesmo ventre.

Raquel escondeu os ídolos
que o passado insistia em carregar,
enquanto Jacó seguia adiante,
aprendendo que o Deus vivo
não cabia em pedra,
nem em madeira,
nem podia ser levado
sobre o lombo de um camelo.

Assim caminha a antiga narrativa:
entre promessas e desertos,
entre irmãos e fronteiras,
entre a fraqueza dos homens
e a fidelidade de Deus.

Pois os impérios
erguem colunas,
os reis
levantam muralhas,
as tribos
traçam seus limites.

Mas a promessa
não se mede por espadas,
nem por coroas,
nem pelo sangue dos conquistadores.

Ela atravessa os séculos
como um rio escondido sob a areia,
silenciosa,
invisível,
e ainda assim
capaz de fazer florescer
até mesmo o deserto.


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