O Segredo dos Prazeres Justos
O Peso do Desejo
O desejo nasceu antes da palavra,
antes das leis, dos reis e das cidades.
Foi ele quem fez o rio procurar o mar,
e a semente romper a escuridão da terra.
Não é o fogo o culpado pelo incêndio;
é a mão que esquece por que acendeu a chama.
O coração deseja.
O corpo responde.
A alma procura um sentido
que nenhum instante consegue guardar.
Há quem faça do prazer uma espada,
ferindo para sentir-se vivo.
Há quem transforme o amor em prisão,
confundindo posse com cuidado.
E há quem corra atrás do impossível,
porque acredita que a distância vale mais que o encontro.
Mas o desejo não foi criado para humilhar.
Foi criado para aproximar.
Quando o prazer exige mentira,
alguém sempre paga a conta.
Quando pede sangue, traição ou desprezo,
ele já deixou de ser prazer
e tornou-se fome.
Existe, porém, um caminho mais difícil.
Manter acesa a chama
sem incendiar a casa.
Preservar o mistério
sem esconder a verdade.
Cultivar o amor
sem abandonar a honra.
Porque o maior encanto
não está no proibido.
Está em descobrir, dia após dia,
que duas pessoas podem continuar escolhendo uma à outra,
não por medo de perder,
mas pela alegria de construir.
O corpo pede intensidade.
A consciência pede equilíbrio.
E quando ambos aprendem a caminhar juntos,
o desejo deixa de ser uma corrente
e torna-se uma ponte.
Então o amor já não precisa vencer ninguém.
Não precisa provar nada.
Não precisa fazer do outro um derrotado.
Basta transformar o instante em eternidade,
e o prazer em uma linguagem
que nenhum dos dois precise esconder.
Talvez a verdadeira justiça
não seja matar o desejo,
mas ensinar o desejo
a servir aquilo que ele sempre procurou:
não a conquista,
mas a comunhão.
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Luz p’ra nós…. 🙏🏼