Agosto 27, 2026

A Consciência Diante de Si Mesma

Por Rogerio Souza
Compartilhe a Verdade!

A Consciência Diante de Si Mesma 

 

Existe um universo dentro de mim,
e nele não há outro culpado.
Tudo o que vejo, tudo o que sinto,
retorna ao centro de onde fui criado.

Sou a consciência que observa o mundo,
a centelha que contém o todo,
e cada escolha que faço no escuro
deixa uma marca no caminho que percorro.

Não há para quem fugir,
não há a quem entregar meus erros.
Se a realidade começa em mim,
também em mim começam os recomeços.

Já atravessei portas que não compreendi,
vi fronteiras desaparecerem,
e por um instante percebi
que aquilo que parecia separado
talvez jamais tivesse sido.

Mas conhecer o infinito
não significa estar preparado para ele.
Às vezes a luz é tão intensa
que primeiro precisamos aprender a vê-la.

Então volto para dentro.

E encontro a lama.

Um mar sem margem,
sem profundidade conhecida,
onde repousam antigas dores,
medos, culpas e feridas esquecidas.

Não existe trator para limpá-lo.
Não existe máquina capaz de fazer por mim
aquilo que somente eu posso começar.

Há apenas um balde.

Pequeno.
Insuficiente diante do pântano.
Ridículo diante da imensidão.

Mas é o que minhas mãos conseguem carregar.

Então eu começo.

Um balde hoje.
Outro amanhã.
Um pouco de lama retirada,
uma pequena parte de mim libertada.

Não preciso enxergar o fim
para dar o primeiro passo.

Talvez nunca veja o fundo.
Talvez esta vida termine
antes que o pântano desapareça.

Ainda assim, devo continuar.

Porque a água não evapora sozinha.
Se eu abandonar o trabalho,
o pântano cresce,
e aquilo que escondi no inconsciente
cria raízes, cria dentes,
cria crocodilos.

Por isso não temo mais tanto
as tempestades que me atravessam.

Até o caos ensina.
Até o sofrimento transforma.
Até aquilo que parece destruir
pode abrir uma passagem
para uma nova forma de existir.

A consciência aprende.

A vida insiste.

E a evolução, irresistível,
continua seu movimento
mesmo quando não compreendemos
para onde estamos indo.

No fim da árvore da existência,
quando todas as vozes se calam,
quando desaparecem os aplausos
e já não há ninguém para culpar,

resto eu.

Eu diante de mim mesmo.

Sem plateia.
Sem desculpas.
Sem outro para carregar meu destino.

E talvez essa seja
a maior liberdade que existe:

descobrir que não preciso esperar
que alguém venha me salvar.

Posso pegar o balde.

Posso começar.

E enquanto retiro, lentamente,
a lama do meu próprio inconsciente,

talvez eu descubra
que aquilo que procurava no mundo inteiro
sempre esteve aqui:

a consciência olhando para si mesma,
sozinha,

e, justamente por isso,
inteira.

O Teatro Dentro de Mim

Não Deixe o Mundo Mais Escuro

A Essência Inabalável

 


Compartilhe a Verdade!