A Consciência Diante de Si Mesma
A Consciência Diante de Si Mesma
Existe um universo dentro de mim,
e nele não há outro culpado.
Tudo o que vejo, tudo o que sinto,
retorna ao centro de onde fui criado.
Sou a consciência que observa o mundo,
a centelha que contém o todo,
e cada escolha que faço no escuro
deixa uma marca no caminho que percorro.
Não há para quem fugir,
não há a quem entregar meus erros.
Se a realidade começa em mim,
também em mim começam os recomeços.
Já atravessei portas que não compreendi,
vi fronteiras desaparecerem,
e por um instante percebi
que aquilo que parecia separado
talvez jamais tivesse sido.
Mas conhecer o infinito
não significa estar preparado para ele.
Às vezes a luz é tão intensa
que primeiro precisamos aprender a vê-la.
Então volto para dentro.
E encontro a lama.
Um mar sem margem,
sem profundidade conhecida,
onde repousam antigas dores,
medos, culpas e feridas esquecidas.
Não existe trator para limpá-lo.
Não existe máquina capaz de fazer por mim
aquilo que somente eu posso começar.
Há apenas um balde.
Pequeno.
Insuficiente diante do pântano.
Ridículo diante da imensidão.
Mas é o que minhas mãos conseguem carregar.
Então eu começo.
Um balde hoje.
Outro amanhã.
Um pouco de lama retirada,
uma pequena parte de mim libertada.
Não preciso enxergar o fim
para dar o primeiro passo.
Talvez nunca veja o fundo.
Talvez esta vida termine
antes que o pântano desapareça.
Ainda assim, devo continuar.
Porque a água não evapora sozinha.
Se eu abandonar o trabalho,
o pântano cresce,
e aquilo que escondi no inconsciente
cria raízes, cria dentes,
cria crocodilos.
Por isso não temo mais tanto
as tempestades que me atravessam.
Até o caos ensina.
Até o sofrimento transforma.
Até aquilo que parece destruir
pode abrir uma passagem
para uma nova forma de existir.
A consciência aprende.
A vida insiste.
E a evolução, irresistível,
continua seu movimento
mesmo quando não compreendemos
para onde estamos indo.
No fim da árvore da existência,
quando todas as vozes se calam,
quando desaparecem os aplausos
e já não há ninguém para culpar,
resto eu.
Eu diante de mim mesmo.
Sem plateia.
Sem desculpas.
Sem outro para carregar meu destino.
E talvez essa seja
a maior liberdade que existe:
descobrir que não preciso esperar
que alguém venha me salvar.
Posso pegar o balde.
Posso começar.
E enquanto retiro, lentamente,
a lama do meu próprio inconsciente,
talvez eu descubra
que aquilo que procurava no mundo inteiro
sempre esteve aqui:
a consciência olhando para si mesma,
sozinha,
e, justamente por isso,
inteira.
Somos A Causa de Nós Mesmos ⚛️
Luz p’ra nós 🙏🏽♻️