Além dos Sentidos
Há coisas que os olhos não veem,
mas que os sentidos podem revelar.
Há um mundo escondido no silêncio,
esperando apenas alguém perceber.
Um dia, no escuro,
não foi preciso enxergar a água.
O ouvido escutou o som do vazio,
o som daquilo que se preenchia,
e soube dizer, sem imagens,
quando a garrafa estava cheia.
Seria isso outro sentido?
Ou seria apenas um sentido
fazendo o trabalho de outro?
Talvez perceber seja isso:
não apenas receber o mundo,
mas encontrar caminhos
para interagir com ele.
Quem nunca viu
aprende a conhecer a forma pelo som,
o espaço pelo toque,
a presença pelo movimento,
e talvez descubra
que a realidade é maior
que a maneira como costumamos percebê-la.
Porque percepção é encontro.
E até a poeira denuncia
que alguma coisa mudou.
A desordem cresce silenciosa,
a entropia ocupa os espaços,
enquanto alguma força contrária
organiza, limpa, cria.
De um lado, o abandono.
Do outro, a intenção.
De um lado, aquilo que se desfaz.
Do outro, aquilo que nasce.
E entre essas duas forças
existe o desejo humano.
Aquilo que aceitamos.
Aquilo que recusamos.
Aquilo que tememos.
Aquilo que buscamos.
Até que um dia
a mão se move sem pensar,
uma garrafa pesada cai,
e fica a pergunta:
Foi apenas acaso?
Ou haverá momentos
em que a intenção continua trabalhando
mesmo depois que a consciência se esquece dela?
Talvez o inconsciente seja
uma oficina silenciosa,
onde pensamentos esquecidos
continuam construindo.
Onde aquilo que imaginamos
não desaparece completamente.
Onde uma possibilidade
pode permanecer aberta
antes mesmo de encontrarmos
um nome para ela.
Telecinese, energia,
colapso da onda, efeito Zenão…
São nomes lançados
diante do mistério.
Mas talvez o mais importante
não seja nomear o fenômeno,
e sim observar.
Respirar.
Perceber.
Experimentar os limites
daquilo que acreditamos possível.
Porque talvez o limite
não esteja somente no mundo,
mas também na imaginação
com que tentamos compreendê-lo.
A respiração é energia.
O corpo é matéria.
A matéria é movimento.
Tudo aquilo que parece sólido
esconde um universo em atividade.
E se tudo está em movimento,
talvez também estejamos.
Movendo pensamentos.
Movendo intenções.
Movendo possibilidades.
Talvez perceber
seja apenas o primeiro passo.
Depois vem a intenção.
Depois, a ação.
E talvez, além de tudo aquilo
que os olhos conseguem ver,
exista ainda um território imenso
que só começamos a descobrir
quando aprendemos
a prestar atenção.
O Som da Água na Escuridão
Poema baseado no vídeo ‘Manobras energéticas e percepção extrassensorial’
No escuro da noite, a garrafa a encher,
O som do líquido ensina a ver.
Não foi o olho que a forma moldou,
Foi a audição que no espaço ecoou.
Sutileza que passa despercebida,
Energia e intenção que tecem a vida.
A entropia avança na casa e no ser,
Mas a mente consciente recusa ceder.
Duas forças no cosmos em puro compasso:
A ordem e o caos no mesmo espaço.
E no gesto sutil de mover a intenção,
O átomo responde em vibração.
A garrafa de metal tomba no chão,
Sem o toque da pele, sem mover a mão.
É a onda que colapsa no inconsciente,
Plasmando a matéria diante da mente.
Efeito Zenão no tear da existência,
A física quântica e a pura consciência.
De Sai Baba a Hermógenes, de onda a cristal,
Buscando a Morada da Paz Celestial.
Tudo é energia, tudo é criação,
A magia é o sopro da imaginação.
”https://www.youtube.com/watch?v=mtsYMjCM9WA
Luz p’ra nós!