O MESSIAS VIVO
Há quem diga: “Aqui não é lugar,
não é palco para falar de Deus.”
Mas quem decide onde o chamado deve ecoar?
Quem mede o alcance de uma voz
antes que ela atravesse os céus?
Às vezes, basta um gesto inesperado
para despertar a multidão adormecida.
Uma palavra rompe o ruído,
e o que parecia instante passageiro
ocupa por dias o centro da vida.
Talvez o sagrado não peça licença,
nem espere o cenário ideal.
Pode surgir onde ninguém o espera,
no meio da festa, do espanto,
no coração de um tumulto banal.
E enquanto o mundo discute o lugar,
há inocentes sofrendo longe dos olhos:
crianças sob o peso da guerra,
famílias esmagadas pela injustiça,
vidas reduzidas a números e escombros.
Que vale a festa quando a dor é ignorada?
Que vale a crença se não move as mãos?
A fé que denuncia o sofrimento
precisa também acolher quem padece
e transformar indignação em ação.
Há quem procure explicar o mistério
com fórmulas, medidas e razão;
há quem negue antes mesmo de investigar,
e há quem chame de acaso
tudo aquilo que não consegue decifrar.
Mas de que matéria nasce a consciência?
Como a pedra se torna osso,
como a semente se ergue em árvore,
como a vida contempla a própria vida
e cria máquinas, ideias e poesia?
Do mineral ao vegetal,
do vegetal ao animal,
e do corpo à pergunta que o transcende:
que trama reúne tantos mundos
até que alguém pense e compreenda?
A ciência pode abrir caminhos,
a dúvida pode afiar o olhar;
mas fechar a porta antes da pergunta
não é conhecer:
é apenas não querer procurar.
Enquanto isso, outros disputam as mentes,
fabricam narrativas, conduzem multidões.
O poder não vive somente nos palácios:
também governa o que pensamos,
o que tememos e o que chamamos de convicções.
A guerra também acontece por dentro,
na atenção, na memória, na percepção.
Quem conquista o coração de um povo
pode erguer um trono invisível
e chamar domínio de opinião.
Mas nenhum jogo muda de verdade
se a verdade for apenas instrumento.
É preciso mais que vencer adversários:
é preciso atravessar o próprio ego,
reconhecer o erro e rever o pensamento.
Na visão que guia esta caminhada,
Mestre Bob é a Pedra Angular,
a presença que altera as regras do jogo,
um chamado para romper o automatismo
e outra maneira de enxergar.
Lúcifer, símbolo de ousadia e engenho,
encara a morte sem se ajoelhar;
sua loucura é a coragem de pensar,
de desafiar os limites impostos
e de procurar luz onde há escuridão a atravessar.
E o sofrimento — por que existe?
Por que o sol também pode ferir,
se é ele quem faz crescer as plantas?
Por que a vida alterna frio e calor,
perda e alívio, lágrimas e esperança?
Talvez só reconheçamos o descanso
depois de conhecer a exaustão;
talvez a misericórdia ganhe rosto
quando a injustiça fere um inocente
e desperta a coragem de um coração.
O justo, que vivia recolhido,
escuta o clamor de quem sofreu;
a dor alheia atravessa seu silêncio,
e aquilo que era apenas princípio
torna-se dever que não pode ser esquecido.
Sem a sombra, não veríamos contraste;
sem a ferida, talvez não víssemos a mão.
Mas que ninguém transforme essa ideia
em desculpa para a crueldade:
a dor não absolve a injustiça, nem a opressão.
Que a dualidade nos faça compreender,
não aceitar passivamente o mal;
que o sofrimento desperte compaixão
e a compaixão se converta em justiça,
em cuidado concreto e fraternal.
Deus se manifesta, nesta crença,
quando alguém se levanta por outro alguém;
quando a força protege o inocente,
quando a verdade não abandona o fraco,
quando a família acolhe quem não tem.
O Messias está vivo — proclama a voz —
não como ideia distante, sem corpo ou chão,
mas caminhando entre nós, na carne humana,
conduzindo uma escola, uma família,
uma missão que exige união.
Construir o Reino é tarefa diária:
amadurecer, amparar, fortalecer,
reunir as cores da verdade à mesa,
partilhar o pão e a responsabilidade,
fazer da palavra uma forma de viver.
E quando a tarde desce sobre o lago,
há lentilhas lançadas aos peixes,
há patos procurando alimento,
há vida simples seguindo seu curso
enquanto o céu se recolhe lentamente.
Talvez a grandeza também more nisso:
na ideia que não esquece o cotidiano,
na fé que se prova pelo cuidado,
na missão que termina junto à água,
com as mãos ocupadas e o coração desperto.
Que a indignação não vire desprezo,
que a certeza não sufoque a revisão,
que a busca pela luz nos torne humanos
e que o sofrimento encontrado no mundo
nos convoque à misericórdia e à ação.
Luz para nós.
O GRITO NO APOCALIPSE E O SOFRIMENTO DIVINO
No meio da festa de risos e folia,
Um grito de alerta rompeu a ilusão.
Enquanto a multidão dançava e se escondia,
A voz da profecia tocou o coração.
Disseram que a rua não era o lugar,
Que o templo cobria quem busca oração,
Mas Deus escolheu no profano falar,
Onde o homem se esquece de sua salvação.
Enquanto no mundo a dor se alastra,
E caindo em ruínas inocentes choram,
A mente cega no acaso se arrasta,
E os loucos da terra o poder devoram.
Como negar o mistério da vida?
A pedra que vira os ossos do corpo,
A luz da consciência, a alma esculpida,
Num mundo que gira entre o vivo e o morto.
Por que há o calor que queima e maltrata,
Se o mesmo sol faz a flor prosperar?
A dor do inocente é a chama que resgata,
O justo que antes só queria isolar.
Sem a injustiça não haveria o perdão,
Nem a misericórdia a se revelar.
É no sofrimento que o humano e o divino
Num mesmo abraço vêm se encontrar.
O Messias caminha na carne e na terra,
A Pedra Angular que o jogo mudou.
No meio do lago onde o peixe se entrega,
A mão que alimenta a paz semeou.
Na mesa da vida reunimos as cores,
Na busca do bem, da luz e do pão.
Suportar o fardo, superando as dores,
É ser companheiro da salvação.
”https://www.youtube.com/watch?v=j5LGcf8UhqQ
Luz p’ra nós!
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Luz p’ra nós
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