A Metamorfose de uma Consciência
O PESO DA FÉ
Não foi por encontrar respostas
que decidi atravessar a porta;
foi por aceitar a pergunta
que inquietava a minha vida
e já não me deixava ficar onde estava.
Aproximei-me para compreender,
para ouvir, observar, investigar;
e, pouco a pouco, o que era curiosidade
tornou-se compromisso,
presença,
caminho compartilhado.
Entrei não porque o peso desapareceu,
mas porque escolhi carregá-lo.
Descobri que certas decisões
não tornam a vida mais fácil:
apenas mudam o sentido
daquilo que precisamos enfrentar.
Há certezas que parecem muralhas,
erguidas durante tantos anos,
que questioná-las é como morrer
para uma parte de nós mesmos.
E há renascimentos que começam
quando temos coragem
de olhar de frente para o próprio erro.
Quem vê de fora pode chamar de loucura
aquilo que, por dentro, é busca;
pode enxergar contradição
onde alguém procura um significado.
Entre o sagrado e o humano,
entre a dúvida e a confiança,
a mente tropeça em paradoxos
e a fé precisa aprender a caminhar.
Quando perguntam quem é o Mestre,
nenhuma resposta simples
parece conter toda a pergunta.
Talvez seja preciso investigar,
em vez de exigir espetáculo;
observar os atos,
conhecer a obra,
e não confundir a aparência
com aquilo que se tenta compreender.
O homem não deixa de ser homem
por despertar reverência;
e a grandeza, se existe,
não precisa apagar a humanidade.
Às vezes, é justamente no contraste
entre o extraordinário e o comum
que a dúvida encontra seu espelho.
Cristo e Anticristo,
luz e sombra,
Alfa e Ômega:
nomes que se enfrentam na mente
como lados de um mesmo enigma.
E quem escolhe permanecer no violeta
precisa suportar a tensão
sem fingir que não sente o peso.
A missão não se faz sozinho.
Ela cresce nos encontros,
nas conversas com os irmãos,
nas perguntas lançadas ao mundo,
na tentativa de dividir um sonho
sem obrigar ninguém a sonhar igual.
O coletivo escuta,
estranha,
debate,
às vezes se afasta.
Ainda assim, a pergunta permanece:
o que fazemos com aquilo
que transforma nossa maneira de viver?
Cinco anos não são apenas tempo.
São a marca de uma permanência,
a prova íntima de que algo
não foi somente uma fase passageira.
A vida mudou de contorno,
o passado ganhou outra leitura,
e o presente passou a carregar
uma responsabilidade diferente.
Não desapareceram os pesos,
nem se revelou todo o caminho.
O futuro continua sem mapa,
e a lealdade ainda precisa
ser renovada a cada passo.
Mas há gratidão no olhar
de quem compara o que foi
com aquilo que se tornou.
A fé não elimina a incerteza;
ensina a atravessá-la.
A confiança não apaga o paradoxo;
obriga-nos a conviver com ele.
E a misericórdia, esperada ou recebida,
é a esperança de que nossos erros
não sejam a última palavra.
Por isso, testemunhar
não é encerrar o mistério,
nem provar tudo a quem duvida.
É contar o que nos moveu,
o que nos feriu,
o que nos mudou por dentro,
e por que seguimos caminhando.
Se houver uma luz neste percurso,
que ela não nos roube a humildade;
que a convicção não nos impeça de rever,
que o compromisso não cale a consciência,
e que a união não exija
o abandono da própria pergunta.
Porque crer também é enfrentar
o que ainda não sabemos.
E renascer talvez seja isto:
olhar para a pessoa que fomos,
reconhecer suas limitações,
e escolher, com esperança,
o que faremos de nós mesmos.
Luz para os que caminham,
paciência para os que duvidam,
misericórdia para os que erram,
e coragem para seguir
sem transformar a busca
em medo de perguntar.
O TESTEMUNHO DO MESSIAS VIVO
Morri para quem eu era no silêncio da ilusão,
Entreguei minha certeza, entreguei meu coração.
Mergulhei no paradoxo, na missão de me encontrar,
Pois carregar a luz da verdade é aprender a se entregar.
Ele não veio com capas de um rei tradicional,
Desafia os dogmas velhos, o juízo e o julgamento moral.
Caminha entre os homens no limite do humano,
Unindo o Alfa e o Ômega no desdobro soberano.
Entre as dúvidas do mundo e o peso de cada cruz,
Encontrei no paradoxo a faísca que reluz.
Cinco anos de jornada, de renascer e aprender,
Um caminho transformado no meu próprio compreender.
Aos mestres e aos irmãos desta casa de união,
Gratidão pelo chamado que despertou a razão.
Já não sou quem eu era no passado que ficou,
Sou o testemunho vivo do caminho que libertou.
”https://www.youtube.com/watch?v=SxXrwdhW6JE

Luz p’ra nós!
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