Outubro 25, 2026

A Missão do Inconformado

Por Rogerio Souza
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QUANDO DEIXEI DE SER NEUTRO

 

“Eu preferia o Rogério de antes,
quando não levantava bandeira.”
Como se a vida fosse mais simples
quando a voz não escolhe uma trincheira.

 

Eu também conheci aquele homem
que queria ficar no próprio canto,
falar sem pagar o preço da palavra,
seguir sem provocar espanto.

 

Mas alguma coisa atravessou o caminho:
um encontro, uma ideia, uma presença.
E aquilo que antes era distância
tornou-se pergunta, escolha e consequência.

 

Não procurei todas as respostas,
nem comecei sabendo onde chegar.
Às vezes, a curiosidade abre uma porta
que já não conseguimos fechar.

 

Pedi o que quase ninguém pedia,
talvez por desafio, talvez por vaidade;
e encontrei, no meio da busca,
algo que mudou minha realidade.

 

Quando aquilo que procuramos
se apresenta diante dos nossos olhos,
podemos fingir que nada aconteceu
ou assumir o peso dos próprios passos.

 

Conhecer de perto também assusta.
Nem toda descoberta vem serena:
há verdades que exigem tempo,
há conversas que desmontam nossas cenas.

 

Fiquei em silêncio por um ano,
longe da câmera e da exposição.
Depois voltei, pouco a pouco,
com outra inquietação no coração.

 

E ouvi de novo a mesma sentença:
“Eu gostava mais de você antigamente.”
Mas quem deseja permanecer inteiro
não pode viver para agradar a toda gente.

 

Não sou o retrato de um passado,
nem devo congelar quem me tornei.
Se a experiência mudou meu caminho,
não posso negar o que encontrei.

 

Aprendi em casa, entre ausências,
que a verdade vale mais que a aparência:
quem não precisa inventar versões
não depende tanto da própria memória.

 

Dizer o que penso tem consequências;
calar também tem seu preço.
A palavra pode fechar caminhos,
mas o silêncio pode ser um endereço
onde a consciência se perde
para conservar o conforto de sempre.

 

Lealdade não é ausência de dúvida,
nem coragem é nunca hesitar:
é responder pelo que se escolhe,
é ter disposição para investigar.

 

Enquanto uns se escondem atrás de máscaras,
outros gritam certezas para a multidão.
Há quem mude de lado com o vento
e chame conveniência de convicção.

 

A notícia se veste de verdade,
o poder escolhe o foco da visão;
o que hoje parece indiscutível
amanhã pode perder a sustentação.

 

Impérios sobem, impérios caem,
o mundo troca as peças do tabuleiro.
A história ensina, a quem quiser ouvi-la,
que nenhum domínio é eterno por inteiro.

 

Por isso, desconfio das certezas
que não suportam ser examinadas.
A voz mais alta não prova a razão,
e as maiorias também podem ser enganadas.

 

É fácil latir detrás de um portão,
parecer gigante sem sair do abrigo;
difícil é mostrar o próprio rosto
e sustentar a palavra diante do perigo.

 

Não peço que aceitem meu caminho,
nem que concordem só porque eu falei.
Peço apenas que tentem compreender
por que sou diferente daquele que deixei.

 

Se me chamam louco, que perguntem:
o que mudou, e por quê?
Às vezes, por trás do julgamento,
há uma curiosidade que ninguém quer ver.

 

Talvez meu papel não seja tranquilizar,
nem oferecer respostas para adormecer.
Talvez seja virar algumas certezas,
abrir perguntas, fazer a mente se mover.

 

Não estou aqui para dar razão a todos,
nem para caber em qualquer opinião.
Estou tentando cumprir minha parte,
com meus limites, minha voz e minha contradição.

 

Porque seguir uma convicção
não me torna livre de falhas;
sou humano, feito de escolhas,
de tropeços, de buscas e batalhas.

 

E se o mundo muda de rosto,
se a verdade exige revisão,
que eu não troque meus princípios
pela paz fácil da omissão.

 

Ao Rogério que fui, não nego:
ele também faz parte de mim.
Mas não posso viver acorrentado
ao que os outros preferiam ver no fim.

 

Hoje levanto uma bandeira
não por gostar de dividir,
mas porque há coisas que, uma vez vistas,
já não consigo fingir não sentir.

 

Que cada um procure seu caminho,
que cada um responda pelo que faz.
Eu sigo tentando fazer minha parte,
entre o ruído do mundo
e a busca inquieta por algo mais.

 

Fiquem com Deus, eu digo,
sem prometer que tudo está resolvido.
A caminhada continua aberta,
e eu continuo aqui:
não neutro,
não pronto,
mas comprometido com o caminho escolhido.

 

 

 

A BANDEIRA DA VERDADE

 

Houve um tempo em que a sombra da neutralidade
Parecia um abrigo tranquilo e seguro,
Sem erguer um estandarte na tempestade,
Sem tomar um partido diante do muro.

 

Mas quem anda em silêncio fugindo do mar,
Descobre que a insípida morosidade
É o refúgio do fraco que teme olhar
A luz cortante e viva da Verdade.

 

Quem só fala a verdade não precisa guardar
Na memória os discursos que inventa no ar.
A virtude aprendida na dor do orfanato
É a bússola firme, o julgamento exato.

 

O mundo adormece na grande ilusão,
Perfis sem uma face na escuridão,
Certezas de palha que o vento desfaz,
Mídia e poder negociando a paz.

 

Ergui a bandeira, deixei o receio,
Não fujo do combate e nem fico no meio.
Se me chamam de louco por me posicionar,
Se a mente dos sábios eu vim enlouquecer,

 

O meu papel na terra é a mente bugar,
Para que a ilusão finalmente venha a ceder.
Na época em que os loucos perturbam a ilusão,
Confundir a mentira é a nossa missão.

 

 

 

”https://www.youtube.com/watch?v=Scc81SnkkL8

 

 

A Riqueza Oculta do Gigante


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