Quando a Luz se Lembra
Quando a Luz se Lembra
Perguntam quem voltou da morte
para contar o que existe além.
Mas talvez a pergunta esconda outra:
quem voltou, de verdade, para si também?
Há quem caminhe respirando,
e ainda assim não saiba viver.
Conhece o nome das coisas,
mas esqueceu quem veio ser.
Olha o mundo através do vidro,
como quem observa um banquete distante.
Vê cidades, impérios e riquezas,
mas permanece um estranho errante.
Não é a falta de passos,
nem o silêncio do coração.
É perder a memória da origem,
e chamar isso de razão.
Então uma palavra desperta.
Não impõe; apenas revela.
As peças dispersas se encontram,
e a alma reconhece a própria janela.
As cores, antes solitárias,
disputavam o direito de brilhar.
Mas somente quando se abraçam
descobrem o que é iluminar.
A luz não pertence a uma cor,
nem a um único olhar.
Ela nasce quando muitas verdades
aprendem a se reconciliar.
Quem desperta não abandona os perdidos.
Estende a mão para o próprio ontem.
Pois sabe que o inimigo de agora
talvez seja o reflexo de onde esteve.
Amar deixa de ser um mandamento;
torna-se memória recuperada.
Cada rosto guarda um pedaço
da mesma chama compartilhada.
E assim a morte perde força,
não porque deixou de existir,
mas porque toda consciência desperta
aprende, enfim, a ressurgir.
”https://youtu.be/Fy2TgMxTUkc”
Muito forte esse poema. Uma arte real