A Natureza é Viva
Há um segredo escondido na mata,
um idioma que não aprendemos a falar:
na formiga que trabalha,
no pássaro que alimenta,
no filhote que se esconde
quando a mãe manda esperar.
Quem ensinou o cervo
a desaparecer diante do predador?
Quem ensinou a semente
a procurar a água,
a raiz a buscar a terra,
a planta a perseguir a luz?
Quem disse à ave quando partir?
Quem disse ao peixe onde voltar?
Quem ensinou o animal
a reconhecer seu semelhante,
a proteger sua cria,
a escolher seu par?
Chamamos tudo de instinto
quando não sabemos explicar.
Chamamos tudo de acaso
quando não queremos contemplar.
Mas olhe novamente.
Veja a truta subindo o rio,
o bisão sentindo o inverno chegar,
o lobo organizando a matilha,
a mãe enfrentando o perigo
para os pequenos escapar.
Veja a formiga diante da ferida,
o animal diante da morte,
a floresta inteira funcionando
como um organismo colossal.
Nada parece isolado.
O predador depende da presa,
a presa depende da planta,
a planta depende da chuva,
a chuva depende do céu,
e o céu, em nosso espanto,
parece caber dentro de nós.
Somos parte desse movimento.
Temos a bactéria,
a planta,
o animal,
a memória,
o medo,
o desejo,
a inteligência
e essa estranha capacidade
de perguntar:
quem somos nós?
Talvez o maior afastamento
não tenha sido entre o homem e Deus,
mas entre o homem e a natureza.
Construímos paredes,
acendemos telas,
enchemos as noites de ruído,
inventamos palcos,
fama, prazeres, distrações,
e esquecemos de olhar
para aquilo que respira diante dos nossos olhos.
Enquanto isso,
uma floresta continua crescendo
sem pedir aplausos.
Uma mãe continua protegendo
sem precisar de plateia.
Um animal continua vivendo
sem precisar compreender
a palavra “consciência”.
E nós, tão certos de que sabemos,
olhamos para tudo isso
e dizemos:
— É apenas mecanismo.
Talvez seja.
Mas que mecanismo é esse
que produz beleza,
memória, cuidado,
adaptação, equilíbrio,
cooperação e mistério?
Que máquina é essa
que parece carregar dentro de si
uma inteligência maior
do que a nossa capacidade de compreendê-la?
Talvez a natureza seja uma máquina.
Mas uma máquina viva.
E talvez chamemos de Deus
aquilo que ainda não conseguimos separar
em partes suficientemente pequenas.
Por isso, não tenha medo da ciência.
Pergunte.
Observe.
Investigue.
Desconfie das respostas fáceis
e também das certezas confortáveis.
Porque quanto mais profundamente
olhamos para a vida,
mais difícil se torna acreditar
que estamos olhando para algo morto.
Há consciência no movimento.
Há ordem no caos.
Há conexão no aparentemente separado.
E talvez Deus não esteja
acima da natureza,
nem distante dela.
Talvez Deus esteja
na própria natureza.
Na folha que procura o sol.
Na raiz que procura a água.
No filhote que se esconde.
Na mãe que o protege.
No pássaro que retorna.
No rio que insiste em correr.
E também em nós.
Porque somos natureza
tentando compreender a si mesma.
Somos o universo
olhando para o universo.
Somos a vida
perguntando o que é a vida.
E quando a ciência
nos leva até o limite da explicação,
talvez reste apenas o espanto.
Não o espanto da ignorância,
mas o espanto de descobrir
que quanto mais aprendemos,
mais profundo fica o mistério.
Um pouco de ciência
pode nos afastar de Deus.
Mas talvez muita ciência,
quando buscada com honestidade,
nos faça encontrá-Lo.
Não porque deixamos de perguntar,
mas porque finalmente
aprendemos a olhar.
O TECLADO DA CRIAÇÃO E A MÁQUINA VIVA
Nas entranhas da mata, onde o homem não pisa,
Respiram mistérios que a mente não mede:
O cervo recém-nascido que o vento não brisa,
Sem cheiro no corpo, que o urso não pede.
A aranha que se oferta em sagrado alimento,
A truta que sobe a corrente do rio,
A dança dos lobos, o velório e o lamento
Do cateto na noite, no chão duro e frio.
A formiga cirurgiã no mistério da selva,
A mãe louva-a-deus sob o peso do rito;
Há um campo invisível gravado na relva,
Uma mente difusa num eco infinito.
Não é mero acaso, nem fruto do nada,
Nem engrenagem fria sem luz ou razão:
A natureza é divina, viva e pulsante,
O próprio pulsar da Consciência e do Pão.
Enquanto a cidade se perde em seu palco,
Em luzes de néon e ilusões de um segundo,
O sábio contempla no topo do monte
A teia de Deus que sustenta este mundo.
Pois quem busca a ciência com alma e verdade
Não encontra o vazio da pedra sem cor,
Mas vê na harmonia de cada detalhe
A mão do Design, da Vida e do Amor.
”https://www.youtube.com/watch?v=h-fghZO1BF4
Amém! Lpn
Compartilhando!