Setembro 19, 2026

O Despertar dos Quatro Caminhos

Por Rogerio Souza
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             OS QUATRO CAMINHOS E A LUZ ETERNA              

                                                 

              Entre as sombras da Matrix negra              

                E o brilho do Grande Eterno,                

                Desperta o Guerreiro em paz,                

              Longe do ilusório e do inferno.               

                                                      

                No martelo do hábil Artesão,                

              Na semente do farto Agricultor,               

              Na balança do sábio Comerciante,              

             E na espada do Guerreiro de valor.             

                                                           

             Quatro caminhos reunidos em um só,             

             Quatro casas de uma mesma verdade,             

             Um totem que acorda a consciência              

             E nos resgata para a imortalidade.             

                                                            

 

         

           Para que a Justiça possa pulsar,              

            A Injustiça no mundo há de existir;             

           Entre os opostos que plasmam a Terra,            

             A luz da Verdade começa a reluzir.             

                                                            

             Face oculta e brilho do Redentor,              

               Entre a profecia e a redenção,               

            Aquele que conhece a vida e a morte,            

               Traz o alívio e a libertação.                

                                                           

        Seja na arte da mente ou na lâmina do fuzil,        

           A filosofia do Espírito guia o saber;            

            Não para nos confundirmos com a Luz,            

           Mas para companheiros no Caminho ser.            

                                                            

             Caminhando com neutralidade e fé,              

             Com humildade no peito a navegar,              

       Pois quem contempla além do tempo e do espaço        

              Sabe a hora exata de despertar.       

 

 

A Dor Também Ensina

 

O Totem do Despertar

 

Há livros que não terminam
quando fechamos suas páginas.

Eles permanecem.

Como uma pequena pedra
guardada no bolso da alma,
um sinal para lembrar
que ainda estamos sonhando.

 

E então,
quando o mundo parece confuso,
quando tantas vozes disputam a verdade,
quando a injustiça se mistura à justiça,
quando a mentira veste a roupa da certeza,

nós giramos o pequeno totem
e perguntamos:

Estou acordado?

 

Cada homem carrega
as marcas do caminho que percorreu.

O guerreiro conhece a batalha.
O agricultor conhece a terra.
O artesão conhece as ferramentas.
O comerciante conhece as trocas.

E nenhum deles conhece
o mundo inteiro.

 

Mas talvez a sabedoria
não esteja em ser todos.

Talvez esteja
em reconhecer cada um.

Porque uma consciência completa
não precisa desprezar
aquilo que não possui.

 

Ela observa.

Aprende.

Assimila.

E permanece humilde.

Há pessoas que carregam
muitos mundos dentro de si.

 

Um pouco do guerreiro,
um pouco do artesão,
um pouco do filósofo,
um pouco do cristão,
um pouco do rebelde,
um pouco daquele que sofreu,
um pouco daquele que ainda acredita.

 

E talvez seja por isso
que compreender alguém
seja tão difícil.

Nós enxergamos apenas
a parte que conhecemos.

 

Condenamos o restante
porque não sabemos nomeá-lo.

Mas a consciência,
quando realmente desperta,
não precisa ter medo
daquilo que ainda não entende.

 

Ela pode simplesmente dizer:

Mostre-me.

A experiência transforma.

 

O filho não entende o pai
porque ainda não percorreu
a estrada que o pai percorreu.

O jovem olha para o mundo
com olhos recém-abertos.

 

O velho olha
carregando milhares de imagens.

E entre os dois
existe um abismo feito de tempo.

Não é necessariamente falta de amor.

 

Às vezes
é apenas distância de experiência.

Por isso,
antes de julgar,
talvez seja preciso perguntar:

O que essa pessoa viu
para se tornar quem é?

 

Há também
a sedução da grandeza.

Ser admirado.
Ser ouvido.
Ser reconhecido.

É uma linha estreita.

De um lado,
a realização de uma grande obra.

 

 

 

Do outro,
o orgulho de acreditar
que a obra pertence somente a nós.

Talvez a humildade seja
o fio que impede a queda.

 

Porque mostrar a luz
não significa ser a luz.

Apontar um caminho
não significa possuir o caminho.

 

E caminhar ao lado de alguém
pode ser mais importante
do que exigir que ele siga nossos passos.

O guerreiro também precisa das artes.

 

Precisa conhecer
aquilo que não serve apenas
para vencer uma batalha.

Porque existem guerras
que não se vencem com força.

 

Existem inimigos
que não podem ser golpeados.

Existem fronteiras
que só a inteligência atravessa.

 

E existem verdades
que só aparecem
quando o homem aprende
a contemplar.

 

A espada pode proteger o corpo.

Mas a consciência
precisa aprender a proteger a alma.

O mundo está cheio
de ruídos.

 

Opiniões.
Acusações.
Vaidades.
Medos.
Certezas.

Todos falando.

Poucos escutando.

 

E talvez o verdadeiro despertar
não seja encontrar uma voz
que responda tudo.

Talvez seja aprender
a escutar sem se perder.

 

A observar sem se tornar aquilo que observa.

A conhecer a sombra
sem abandonar a luz.

 

A conhecer a luz
sem esquecer que ainda existe sombra.

 

Cristo e Lúcifer,
na linguagem dessa busca,
aparecem como símbolos
de uma tensão profunda:

o acusador e o salvador,
a queda e a ascensão,
a morte e a vida,
o limite e aquilo que o ultrapassa.

 

Dois lados de uma pergunta
que acompanha a humanidade:

Quem somos
quando somos colocados
diante daquilo que tememos?

 

Talvez seja nesse instante
que o homem realmente se revela.

Não quando vence.

Mas quando encontra
aquilo que poderia odiar
e ainda assim tenta compreender.

 

E haverá sempre
aqueles que caminharão conosco.

Alguns serão mestres.
Alguns serão irmãos.
Alguns serão adversários.
Alguns serão espelhos.

 

E talvez todos tenham algo
a nos ensinar.

Não precisamos copiar ninguém.

Não precisamos nos transformar
naquilo que admiramos.

 

Podemos aprender.

Podemos assimilar.

Podemos seguir sendo nós mesmos
enquanto acrescentamos
novas peças ao nosso espírito.

 

Como quem constrói,
lentamente,
uma casa onde muitas consciências
podem conversar.

 

No fim,
talvez o despertar
não seja acordar sozinho.

Talvez seja descobrir
que nunca estivemos separados.

 

Que a dor de um
pode ensinar o outro.

Que a experiência de um
pode iluminar o caminho de muitos.

 

Que uma ideia,
quando compartilhada,
deixa de pertencer
somente àquele que a encontrou.

 

E que a Verdade,
se for realmente grande,
não precisa de vaidade
para existir.

 

Por isso,
quando o mundo parecer estranho,
gire novamente o totem.

Leia outra vez.

Escute outra vez.

Observe outra vez.

E pergunte:

Estou acordado?

 

Se a resposta for não,
não há vergonha.

Basta abrir os olhos.

Porque despertar
não é chegar ao fim.

 

É perceber,
a cada manhã,

que ainda existe
muito mundo para conhecer,

muita sombra para compreender,

muita luz para descobrir,

e muito pouco tempo
para acreditar
que já sabemos tudo.

 

 

A Glória dos Humildes

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=Y04BmZg8Bww

 

 

 

 


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