A Distorção do Tempo
Há dias em que o tempo corre
sem que os olhos percebam,
a manhã nasce acesa
e, quando se olha de novo,
a noite já fechou as janelas.
Horas desaparecem
entre fumaça, telas e distrações,
e a vida, que deveria ser vivida,
passa silenciosa
por entre os dedos.
Mas talvez o tempo não corra.
Talvez seja a alma
que perdeu o seu compasso.
Quando nada importa,
uma hora pode durar uma eternidade.
Quando tudo é fuga,
um dia inteiro desaparece
antes mesmo de ser percebido.
Há quem tenha pouco
e viva intensamente a luta.
Há quem conquiste muito
e, diante de tudo o que possui,
não encontre mais
o motivo para continuar.
Que estranho mistério:
ter dinheiro no bolso
e sentir-se pobre por dentro;
ter o mundo nas mãos
e não saber o que fazer
com as próprias mãos.
Talvez seja por isso
que o trabalho transforma o tempo.
Quando o corpo serve,
quando existe uma tarefa,
quando há algo difícil a realizar,
o tempo desacelera.
A enxada pesa.
A madeira resiste.
A terra exige presença.
E, naquele instante,
não há passado nem futuro:
há apenas o corpo
fazendo aquilo que precisa ser feito.
O tempo então deixa de fugir.
Ele permanece.
Porque servir também é viver.
E talvez seja essa
uma das maiores diferenças
entre passar o dia
e realmente atravessar um dia.
Há momentos em que precisamos parar.
Há momentos em que precisamos agir.
Há momentos em que precisamos apenas
respirar.
Respirar.
A coisa mais simples
que quase nunca percebemos.
O ar entra.
O ar sai.
E nesse movimento invisível
há uma lembrança:
você ainda está aqui.
A respiração devolve presença,
reorganiza a mente,
segura os pesos da alma
e permite olhar de cima
para aquilo que, de perto,
parecia impossível suportar.
Talvez a vida seja isso:
aprender a controlar
não o relógio,
mas a nossa relação com ele.
Porque o tempo acelera
quando fugimos de nós mesmos.
E desacelera
quando encontramos propósito.
No Reino,
o tempo parece diferente.
Não porque o relógio mudou,
mas porque a vida encontrou
um outro ritmo.
Entre o vermelho e o azul,
entre a aceleração e a pausa,
existe o violeta.
O equilíbrio.
Nem correr para escapar,
nem parar para desaparecer.
Nem excesso,
nem ausência.
Nem viver preso ao mundo,
nem abandonar a própria existência.
Apenas permanecer no centro.
Respirar.
Servir.
Ser grato por estar vivo.
E então talvez descubramos
que o tempo nunca foi nosso inimigo.
Ele apenas nos mostra
onde estamos.
Se estamos fugindo,
ele voa.
Se estamos sofrendo,
ele pesa.
Se estamos presentes,
ele se revela.
E quando finalmente
aprendemos a respirar,
percebemos uma coisa:
o tempo não precisa parar.
Nós é que precisamos
voltar a estar dentro dele.
A GEOMETRIA DO TEMPO E O PESO DA ALMA
Das nove da manhã até as nove da noite,
A fumaça do cigarro desenha o ponteiro.
O tempo não passa, o tempo te acoita,
No silêncio de um peito sem norte e rasteiro.
Ganha-se a glória, o aplauso e o milhão,
E a conta transborda de moedas e ilusão,
Mas quanto mais se tem, mais vazio o chão,
E o excesso do mundo vira solidão.
O relógio acelera no fútil teatro,
Na busca de um gozo que passa num sopro,
Mas quando a mão pega a enxada e o arado,
O tempo desacelera no peso do corpo.
E no meio da roça, cortando a madeira,
Um baque no peito faz o ar fraquejar;
A dor ao tossir, a dor ao sorrir primeira,
Ensina a alma o valor de respirar.
Pois a dor mostra o limite do templo de carne,
E o sopro esquecido se torna oração,
Neste mundo de farça onde nada mais atrai,
Onde até o despertar traz desilusão.
Entre o vermelho do impulso e o azul da razão,
Surge o tom violeta de puro equilíbrio:
Puxar o ar fundo, firmar o coração,
E carregar o peso do próprio foz e exílio.
Não é o dinheiro que cura o vazio da hora,
Mas a presença de estar no instante presente;
Inhala o mistério que habita o agora,
E faz do teu tempo um templo consciente.
”https://www.youtube.com/watch?v=WvzaZtSPbbc
Eis o tempo.. os paradoxos, oque cada momento nos pede. Equilíbrio! Lpn
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