A Magia de Caminhar Juntos
Há quem goste de vencer,
há quem prefira construir,
há quem encontre no confronto
uma maneira de existir.
Dois podem ser rivais
sem jamais deixarem de ser irmãos;
há batalhas que aproximam
quando não destroem o coração.
E talvez a vida seja um jogo
que ninguém joga sozinho:
um homem encontra outro homem,
e nasce um novo caminho.
Um traz a força,
outro traz a visão;
um conhece a pedra,
outro conhece a construção.
E aquilo que parecia pequeno
cresce quando é compartilhado:
uma ideia, uma ferramenta,
um sonho ainda inacabado.
Houve um tempo em que a noite
era realmente noite.
Sem lâmpadas nas estradas,
sem telas iluminando o rosto,
sem uma lanterna no bolso
para afastar o escuro.
Era preciso olhar para as estrelas
e aprender a enxergar com os olhos.
Era preciso conhecer a lua,
esperar sua luz,
caminhar devagar,
sentir o chão.
Hoje apertamos um botão
e o mundo se ilumina.
Mas talvez,
enquanto vencemos a escuridão do lado de fora,
tenhamos esquecido
como se atravessa a escuridão por dentro.
O futuro não chega
da mesma maneira para todos.
Para alguém,
ele já aconteceu.
A geladeira que foi sonho
tornou-se objeto comum.
A eletricidade que parecia impossível
tornou-se parede, tomada e lâmpada.
Aquilo que ontem era magia
amanhã será rotina.
E aquilo que chamamos de futuro
talvez seja apenas
o presente de alguém
que chegou antes de nós.
Desde os antigos,
o homem guarda o fogo.
Passa a chama de mão em mão,
de pai para filho,
como quem diz:
— Não deixe morrer aquilo
que mantém a casa viva.
O fogo aquece,
ilumina,
transforma.
Mas também exige respeito.
A mariposa que corre para a chama
não conhece o perigo
daquilo que a fascina.
E talvez exista em nós
uma mariposa semelhante:
uma vontade de tocar
aquilo que ainda não compreendemos.
Existe uma magia
que não precisa desafiar a lógica.
Ela acontece
quando deixamos de forçar
e começamos a perceber.
Quando a mão trabalha
sem violência contra o mundo.
Quando o pensamento
não tenta dominar o instante.
Quando aquilo que fazemos
encontra aquilo que somos.
Talvez seja esse o segredo:
não obrigar a realidade
a obedecer à nossa vontade,
mas aprender a caminhar
no mesmo ritmo dela.
Toda magia exige responsabilidade.
Porque aquilo que criamos
também pode nos transformar.
Uma palavra pode construir
ou ferir.
Uma ideia pode libertar
ou aprisionar.
Um conhecimento pode servir
ou alimentar o ego.
Por isso,
antes de querer grandes poderes,
é preciso aprender
a não ser escravo dos pequenos.
Antes de querer plasmar o mundo,
é preciso aprender
a plasmar a si mesmo.
Há caminhos diferentes.
Há quem busque o estudo,
quem busque o combate,
quem busque a contemplação,
quem busque a arte.
Há quem encontre seu lugar
na ciência,
na arquitetura,
na medicina,
na madeira,
na terra.
Nenhum caminho precisa ser idêntico
para participar da mesma jornada.
Uma casa precisa de muitas mãos.
Um Reino precisa de muitas almas.
E talvez a verdadeira força
não esteja em todos pensarem igual,
mas em diferentes talentos
encontrarem um propósito comum.
O Oriente guardou memórias.
O Ocidente construiu outras.
Impérios nasceram,
guerras queimaram bibliotecas,
homens esqueceram,
homens redescobriram.
A humanidade perdeu caminhos
e depois encontrou fragmentos deles
em algum lugar distante.
Talvez a sabedoria seja isso:
não imaginar que sabemos tudo,
mas reconhecer que somos herdeiros
de uma história muito maior
que nós.
E então surge a humildade.
Não como fraqueza,
mas como proteção.
Porque quem deseja servir
precisa aprender a escutar.
Quem deseja criar
precisa aceitar que pode errar.
Quem deseja conhecer
precisa admitir que ainda não sabe.
E quem deseja caminhar com Deus
precisa compreender
que sua vontade
não é necessariamente a vontade de Deus.
Talvez a verdadeira magia
não seja fazer aparecer aquilo
que antes não existia.
Talvez seja olhar para aquilo
que sempre esteve diante de nós
e finalmente enxergar.
A fogueira.
A noite.
O companheiro.
A dor.
O conhecimento.
O trabalho.
A tradição.
O futuro.
O Reino.
E perceber que tudo isso
sempre esteve conectado.
Que cada homem carrega
uma pequena chama.
E que nenhuma chama precisa
apagar a outra para iluminar.
Basta que se aproximem.
E quando muitas chamas
se encontram no mesmo lugar,
o escuro já não parece tão grande.
E aquilo que parecia impossível
começa,
pouco a pouco,
a se tornar caminho.
JOGOS, MITOS E CONSCIÊNCIA
Reflexões sobre o Teatro da Realidade
Entre tabuleiros, campos e rivais,
O jogo nos chama pra cooperar ou vencer;
Como Kakashi e Gai em laços fraternais,
Buscamos na disputa o mistério do ser.
Mariposas se lançam na chama ardente,
Frente a Krishna que encarna o Devorador;
O Tempo destrói o efêmero e o presente,
Restando ao guerreiro enfrentar o seu temor.
A fogueira sagrada dos gregos antigos,
Sem iluminação, no breu do interior,
Na lua nova, as estrelas são abrigos,
Guitarras de luz num mundo em mutação e dor.
Das carroças de gelo ao ar condicionado,
O futuro chegou sem pedirmos licença;
O carpinteiro ouve o serrote afiado,
Sacrificando o som pela própria presença.
No Cavalo de Troia e nas páginas do tempo,
A Paixão de Cristo e o véu da ilusão;
Magia e ciência num mesmo momento,
Onde a fé e a lógica abrem o coração.
Como Presto, o mago leal aos dragões,
Erguemos a arte na Escola de Luz;
Superando o teatro de meras atração,
Para a Consciência que nos conduz.
Do oriente de Sai Baba e do saber ancestral,
Ao discurso épico de Alexandre o Grande,
Despertamos da névoa do mundo material,
Onde a alma desperta enfim se expande.
”https://www.youtube.com/watch?v=uB4fWapG4lk
Luz p’ra nós!