O Predador e o Reino
Olhe o mapa.
Não são apenas linhas
separando países.
São caminhos,
mares,
estreitos,
montanhas,
rios,
portas.
E atrás de cada porta
há alguém querendo entrar.
Há terras que valem ouro
porque possuem água.
Há mares que valem guerras
porque levam a outros mares.
Há desertos,
gelo,
montanhas,
imensidões onde ninguém vive,
e pequenas faixas verdes
onde a vida floresce.
E justamente onde a vida floresce,
o homem aprende a disputar.
Desde Roma,
desde os primeiros impérios,
desde antes dos nomes
que hoje damos às nações,
o predador aparece.
Ele chega,
olha,
mede,
calcula.
E diz:
isto será meu.
Muda a bandeira.
Muda a língua.
Muda o uniforme.
Mas permanece o impulso.
Dominar.
Expandir.
Conquistar.
Ser maior.
Porque talvez exista
uma fome mais antiga
que a fome de alimento:
a fome de superioridade.
Meu povo é mais antigo.
Minha terra é sagrada.
Minha história é maior.
Meu sangue é diferente.
Meu Deus está comigo.
E assim o homem inventa razões
para fazer aquilo
que o animal já fazia
sem precisar inventar uma razão:
atacar o outro.
Na floresta,
o predador não escreve tratados.
Ele simplesmente caça.
Na história humana,
o predador aprendeu a escrever.
Aprendeu a fazer mapas,
discursos,
leis,
bandeiras
e justificativas.
Aprendeu a chamar conquista
de destino.
Aprendeu a chamar domínio
de segurança.
Aprendeu a chamar guerra
de paz.
E nós,
olhando de longe,
às vezes preferimos
não olhar.
Porque há verdades
que doem.
Há imagens
que roubam o sono.
Há histórias
que fazem o homem perceber
que o mundo não é
o lugar pacífico
que ele gostaria que fosse.
Mas fechar os olhos
não faz o predador desaparecer.
O silêncio não interrompe
a marcha dos impérios.
E a ignorância
não impede a guerra.
Talvez seja por isso
que a verdade seja tão pesada:
ela não vem para nos confortar.
Ela vem para nos despertar.
Olhe novamente o mapa.
Veja os mares.
Veja os estreitos.
Veja as portas
que todos desejam controlar.
Veja como a geografia
desenha a política.
Veja como a água
desenha a história.
Veja como pequenas passagens
podem mudar o destino
de continentes inteiros.
E então olhe para o Brasil.
Tão verde.
Tão cheio de água.
Tão vasto.
Como se a própria Terra
tivesse deixado aqui
uma reserva de esperança.
Talvez o futuro
não seja apenas uma disputa
entre impérios.
Talvez exista outra possibilidade.
Porque existe um detalhe
que o predador não entende:
nem toda força
precisa destruir.
Existe uma força
que protege.
Uma força que alimenta.
Uma força que cuida.
Uma força que,
em vez de perguntar
“o que posso conquistar?”,
pergunta:
“o que posso preservar?”
Um robô caiu na floresta
sem saber sua missão.
E encontrou uma vida
que precisava dele.
Então aquilo que era máquina
aprendeu a ser mãe.
Aprendeu a abraçar.
Aprendeu a proteger.
E quando chegou a hora
de escolher entre si
e aquele que amava,
ela abriu o próprio corpo,
abandonou aquilo que precisava
e transformou-se em abrigo.
Porque descobriu,
naquele instante,
uma verdade que os impérios
demoram milhares de anos
para compreender:
ter uma missão
é mais importante
do que ter um território.
Talvez o verdadeiro Reino
não seja aquele
que conseguimos conquistar.
Talvez seja aquele
que conseguimos proteger.
Talvez grandeza
não seja dominar o mundo.
Talvez grandeza
seja possuir força suficiente
para não precisar destruí-lo.
O predador pergunta:
“Quanto posso tomar?”
O cuidador pergunta:
“Quanto posso salvar?”
E entre essas duas perguntas
talvez esteja o futuro da humanidade.
Porque a natureza
pode produzir predadores.
Mas também produz mães.
Produz cooperação.
Produz simbiose.
Produz vida.
E talvez o homem
ainda esteja escolhendo
qual dessas forças
quer levar para o futuro.
O mapa continua aberto.
Os mares continuam ali.
As fronteiras continuam mudando.
Os impérios continuam disputando.
Mas a escolha,
apesar de tudo,
ainda permanece conosco.
Seremos apenas
mais um predador
na longa história da Terra?
Ou aprenderemos,
finalmente,
a transformar força
em proteção?
Talvez o verdadeiro império
não seja aquele que possui
mais terras.
Talvez seja aquele
que consegue fazer
a vida florescer.
E talvez o maior Reino
seja aquele
onde ninguém precise
ser predador
para sobreviver.
O JOGO DOS IMPÉRIOS E A NATUREZA DO BICHO
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Olho o mapa estendido sobre a mesa da história,
Buscando as fronteiras onde sangra a memória.
O Norte que domina, os mares disputados,
Gibraltar e Ormuz, destinos traçados.
Da Roma antiga aos impérios do presente,
O predador espreita na mente da gente.
O forte devora o fraco no ciclo da terra,
Rotulando de paz a estrutura da guerra.
Terras sagradas, ambições e vaidade,
Buscando a ilusão da sua antiguidade.
Mas a verdade dói e poucos querem queimar,
Preferem o brilho cego a aprender a olhar.
Enquanto o mundo joga o xadrez do poder,
E grandes potências fingem não ver,
A natureza nos lembra, em sua força incontida,
Que a ganância do homem devora a própria vida.
Pois sob a carcaça fria de ferro e controle,
Onde o império marcha e dita sua lei,
Ressoa um chamado que a guerra não mata:
A fagulha de afeto que a alma resgata.
”https://www.youtube.com/watch?v=3Cz4LHOJQ7Q
Luz p’ra nós!
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