Setembro 9, 2026

O Predador e o Reino

Por Rogerio Souza
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Olhe o mapa.

Não são apenas linhas
separando países.
São caminhos,
mares,
estreitos,
montanhas,
rios,
portas.

 

E atrás de cada porta
há alguém querendo entrar.

Há terras que valem ouro
porque possuem água.
Há mares que valem guerras
porque levam a outros mares.


Há desertos,
gelo,
montanhas,
imensidões onde ninguém vive,
e pequenas faixas verdes
onde a vida floresce.

 

E justamente onde a vida floresce,
o homem aprende a disputar.

Desde Roma,
desde os primeiros impérios,
desde antes dos nomes
que hoje damos às nações,
o predador aparece.

 

Ele chega,
olha,
mede,
calcula.

E diz:

isto será meu.

 

Muda a bandeira.
Muda a língua.
Muda o uniforme.

Mas permanece o impulso.

Dominar.
Expandir.
Conquistar.
Ser maior.

 

Porque talvez exista
uma fome mais antiga
que a fome de alimento:

a fome de superioridade.

Meu povo é mais antigo.
Minha terra é sagrada.
Minha história é maior.
Meu sangue é diferente.
Meu Deus está comigo.

 

E assim o homem inventa razões
para fazer aquilo
que o animal já fazia
sem precisar inventar uma razão:

atacar o outro.

 

Na floresta,
o predador não escreve tratados.

Ele simplesmente caça.

Na história humana,
o predador aprendeu a escrever.

Aprendeu a fazer mapas,
discursos,
leis,
bandeiras
e justificativas.

Aprendeu a chamar conquista
de destino.

Aprendeu a chamar domínio
de segurança.

Aprendeu a chamar guerra
de paz.

 

E nós,
olhando de longe,
às vezes preferimos
não olhar.

Porque há verdades
que doem.

Há imagens
que roubam o sono.

Há histórias
que fazem o homem perceber
que o mundo não é
o lugar pacífico
que ele gostaria que fosse.

 

Mas fechar os olhos
não faz o predador desaparecer.

O silêncio não interrompe
a marcha dos impérios.

E a ignorância
não impede a guerra.

 

Talvez seja por isso
que a verdade seja tão pesada:

ela não vem para nos confortar.

Ela vem para nos despertar.

 

Olhe novamente o mapa.

Veja os mares.

Veja os estreitos.

Veja as portas
que todos desejam controlar.

 

Veja como a geografia
desenha a política.

Veja como a água
desenha a história.

Veja como pequenas passagens
podem mudar o destino
de continentes inteiros.

 

E então olhe para o Brasil.

Tão verde.

Tão cheio de água.

Tão vasto.

Como se a própria Terra
tivesse deixado aqui
uma reserva de esperança.

 

Talvez o futuro
não seja apenas uma disputa
entre impérios.

Talvez exista outra possibilidade.

Porque existe um detalhe
que o predador não entende:

nem toda força
precisa destruir.

Existe uma força
que protege.

 

Uma força que alimenta.

Uma força que cuida.

Uma força que,
em vez de perguntar
“o que posso conquistar?”,
pergunta:

“o que posso preservar?”

 

Um robô caiu na floresta
sem saber sua missão.

E encontrou uma vida
que precisava dele.

Então aquilo que era máquina
aprendeu a ser mãe.

Aprendeu a abraçar.

Aprendeu a proteger.

 

E quando chegou a hora
de escolher entre si
e aquele que amava,
ela abriu o próprio corpo,
abandonou aquilo que precisava
e transformou-se em abrigo.

Porque descobriu,
naquele instante,
uma verdade que os impérios
demoram milhares de anos
para compreender:

ter uma missão
é mais importante
do que ter um território.

 

Talvez o verdadeiro Reino
não seja aquele
que conseguimos conquistar.

Talvez seja aquele
que conseguimos proteger.

Talvez grandeza
não seja dominar o mundo.

Talvez grandeza
seja possuir força suficiente
para não precisar destruí-lo.

 

O predador pergunta:

“Quanto posso tomar?”

O cuidador pergunta:

“Quanto posso salvar?”

 

E entre essas duas perguntas
talvez esteja o futuro da humanidade.

Porque a natureza
pode produzir predadores.

Mas também produz mães.

Produz cooperação.

Produz simbiose.

Produz vida.

 

E talvez o homem
ainda esteja escolhendo
qual dessas forças
quer levar para o futuro.

O mapa continua aberto.

Os mares continuam ali.

As fronteiras continuam mudando.

Os impérios continuam disputando.

Mas a escolha,
apesar de tudo,
ainda permanece conosco.

Seremos apenas
mais um predador
na longa história da Terra?

Ou aprenderemos,
finalmente,
a transformar força
em proteção?

Talvez o verdadeiro império
não seja aquele que possui
mais terras.

Talvez seja aquele
que consegue fazer
a vida florescer.

E talvez o maior Reino
seja aquele
onde ninguém precise
ser predador
para sobreviver.

A Confusão, Velha Amiga

 

               O JOGO DOS IMPÉRIOS E A NATUREZA DO BICHO                    

                   =========================================                    

                Olho o mapa estendido sobre a mesa da história,                 

                 Buscando as fronteiras onde sangra a memória.                  

                    O Norte que domina, os mares disputados,                    

                     Gibraltar e Ormuz, destinos traçados.                      

                    Da Roma antiga aos impérios do presente,                    

                     O predador espreita na mente da gente.                     

                   O forte devora o fraco no ciclo da terra,                    

                    Rotulando de paz a estrutura da guerra.                     

                      Terras sagradas, ambições e vaidade,                      

                     Buscando a ilusão da sua antiguidade.                      

                   Mas a verdade dói e poucos querem queimar,                   

                   Preferem o brilho cego a aprender a olhar.                   

                    Enquanto o mundo joga o xadrez do poder,                    

                      E grandes potências fingem não ver,                       

                 A natureza nos lembra, em sua força incontida,                 

                 Que a ganância do homem devora a própria vida.                 

                  Pois sob a carcaça fria de ferro e controle,                  

                     Onde o império marcha e dita sua lei,                      

                    Ressoa um chamado que a guerra não mata:                    

                     A fagulha de afeto que a alma resgata.

 

O Inevitável Eco da Intenção 

 

https://www.youtube.com/watch?v=3Cz4LHOJQ7Q


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