Agosto 31, 2026

O Reino Debaixo do Teu Nariz

Por Rogerio Souza
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Não queira saber o dia,
nem a hora,
nem o instante em que o céu
há de se abrir sobre a terra.

 

Há coisas que pertencem ao silêncio,
mistérios guardados
na intimidade de Deus,
portas que não foram feitas
para a curiosidade dos homens.

 

Nem os anjos sabem.
Nem mesmo o Cristo, em sua carne,
carregava todas as respostas.

E nós, tão pequenos,
queremos saber tudo.

 

Queremos o mapa do amanhã,
a data da tempestade,
o nome do último dia,
o segredo escondido
atrás da cortina do tempo.

Mas talvez a pergunta
nunca tenha sido:

“Quando será o fim?”

 

Talvez seja:

“O que você está fazendo agora?”

Porque o Reino já começa
onde alguém abaixa a cabeça,
onde alguém aceita servir,
onde alguém escolhe repartir
aquilo que tem.

 

O Reino começa
quando o homem troca a coroa
pela enxada,
o orgulho pela humildade,
a grandeza pelo serviço.

 

A criança quer ser homem.
O homem quer ser rei.
O rei quer ser Deus.

E Deus,
em vez disso,
quis ser homem.

 

Então queira pouco.

Se tiver alguém ao seu lado,
seja um bom amigo.
Se tiver uma esposa,
seja um bom esposo.
Se tiver um filho,
seja um bom pai.

Não procure ser extraordinário
antes de aprender
a ser bom.

 

Porque talvez a grandeza
não esteja em subir.

Talvez esteja em descer.

 

Descer até o chão,
cortar o capim,
limpar a casa,
dividir o pão,
carregar o peso do outro
sem perguntar
o que receberá em troca.

 

E quando o mundo disser:

“Vença.”

Pergunte:

“Vencer o quê?”

 

Que vitória existe
em comprar tudo
num mundo onde tantos
não têm nada?

 

Que prazer existe
em acumular tesouros
enquanto alguém
passa fome do outro lado da rua?

 

Que sentido existe
em conquistar o mundo
se para conquistá-lo
é preciso perder a alma?

 

Talvez seja melhor
ter apenas um lençol
e uma corda,

mas não perder
aquilo que importa.

 

Talvez seja melhor
não ter nada,

se aquilo que temos
não puder ser repartido.

A porta é estreita.

 

Não porque Deus
goste de dificultar a entrada,

mas porque ninguém consegue
atravessá-la carregando
tudo aquilo que acredita possuir.

 

Deixe o ouro.

Deixe o orgulho.

Deixe a necessidade
de ser grande.

Deixe a necessidade
de ter razão.

 

Deixe até mesmo
a necessidade de compreender.

E entre.

Porque o sofrimento virá.

A angústia virá.

A solidão virá.

Haverá noites
em que até a oração
parecerá não responder.

 

E talvez você peça:

“Pai, tira de mim este peso.”

Mas talvez a oração mais profunda
não seja pedir que o sofrimento acabe.

Talvez seja pedir força
para atravessá-lo.

 

Porque até Cristo,
na cruz,
sentiu-se abandonado.

E ainda assim permaneceu.

Até que chegou o momento
em que não havia mais nada
a acrescentar,

nem mais nada
a conquistar,

nem mais nada
a provar.

 

Então disse:

Está consumado.

E talvez seja isso
que o fim dos tempos realmente seja:

não o fim do mundo,

mas o fim daquilo
que precisava morrer em nós.

 

O fim do orgulho.

O fim da ganância.

O fim da necessidade
de controlar o amanhã.

O fim da ilusão
de que somos grandes.

 

Porque o futuro
não está escondido
em algum lugar distante.

Ele está acontecendo.

Aqui.

Agora.

Debaixo do teu nariz.

O Reino não espera
que o céu se abra.

 

Ele começa quando você escolhe
quem será
enquanto o céu permanece fechado.

Não sou profeta.

Não sei o amanhã.

Não sei quando será o fim.

Mas sei que existe uma luta
diante de mim.

 

E enquanto houver caminho,
há uma parte que me cabe.

Guardar a fé.

Fazer o bem.

Servir.

Repartir.

Pedir perdão.

Tentar novamente.

 

E quando finalmente chegar
o último dia,

talvez não importe
se fomos grandes.

Talvez importe apenas
se fomos fiéis
à pequena missão
que recebemos.

 

Porque o Reino
não pertence aos que sabem tudo.

Pertence aos que,
mesmo sem saber,

abaixam a cabeça,

abrem as mãos

e continuam caminhando.

 

O REINO DE DENTRO

     Em volta da fogueira, a noite é fria e urgente,

      O tempo acelera, o amanhã já se faz presente.

De dois mil e vinte e cinco a trinta, a agenda se desvela,

      Enquanto o mundo corre cego na tormenta dela.

 

     A criança quer ser homem, o homem quer ser rei,

         O rei quer ser Deus, mudando toda a lei.

   Mas Deus, em Sua glória, no mistério mais profundo,

     Quis apenas ser um homem para caminhar no mundo.

 

   Corte o capim, limpe o chão com humildade e devoção,

    Pois no serviço simples do servo mora a coroação.

    O mundo corre atrás de Mamom, da farsa e do metal,

     Esquecendo que a verdade foi pregada no portal.

 

     Eles coam o mosquito e engolem o camelo inteiro,

      Preocupados com o ouro, esquecem o verdadeiro.

     Se a loucura e a angústia são velhas conhecidas,

   É no sofrimento que as almas são lapidadas e unidas.

 

      Não há alívio a pedir na cruz que nos consome,

     O próprio Cristo sentiu o abandono em Seu nome.

      Mas ao fim do sonho, na dor que tudo encerra,

      “Está Consumado”, bradou o Salvador da Terra.

 

    Estreita é a porta, guarde a fé e lute a boa luta,

      Neste reino oculto que a alma humilde escuta.

     Quem tem olhos para ver, que veja a luz brilhar,

    Pois o Reino está aqui, pronto para nos arrebatar.

 

 

A Guerra que Nunca Termina

 

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A Velha Amiga Loucura

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