Setembro 13, 2026

O Fogo que Não se Apaga

Por Rogerio Souza
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Houve um tempo em que os homens
guardavam o fogo como quem guarda um nome,
uma lembrança,
ou a voz dos que partiram.

 

No centro da casa,
ardia uma pequena estrela terrestre,
e nela viviam os pais,
os avós,
as histórias,
os sonhos que atravessavam gerações.

 

O fogo não era apenas calor.
Era presença.

Era a certeza de que a vida
não começa em nós
e não termina em nós.

 

Ao redor dessa chama
nasceram famílias,
cidades,
reinos,
filosofias,
e o desejo humano
de compreender o céu e a terra.

 

Alexandre levou espadas,
mas também levou ideias.
E os antigos espalharam pelo mundo
uma pergunta que ainda queima:

Quem somos nós
dentro deste imenso mistério?

 

As formigas escondem impérios sob a terra.
Os oceanos guardam criaturas sem nome.
As estrelas silenciam respostas
que ainda não aprendemos a ouvir.

 

E o homem,
pequeno diante do infinito,
continua observando,
estudando,
errando,
recomeçando.

A ciência acende lanternas.
A filosofia abre caminhos.
A fé aponta horizontes.

 

Nenhuma delas basta sozinha;
mas juntas
formam uma fogueira
contra a escuridão da ignorância.

 

Talvez o universo seja um espelho.
Talvez seja um sonho.
Talvez seja um vasto oceano de possibilidades
onde a consciência navega
em busca de si mesma.

 

Mas há algo que permanece,
desde as primeiras casas gregas
até os dias das máquinas e dos satélites:

A necessidade de manter acesa
uma chama interior.

 

Porque o caos sopra ventos,
o tempo desgasta pedras,
e os homens se perdem em distrações.

 

Mas aquele que conserva o fogo
lembra-se dos que vieram antes,
estende a mão aos que caminham ao lado
e prepara a luz
para aqueles que ainda virão.

 

E enquanto existir uma única chama
protegida do esquecimento,

a humanidade
não estará perdida.

 

 

 

O FOGO ANCESTRAL E O PULSO DA CONSCIÊNCIA          

          Nas lareiras antigas da Hélade em flor,           

              Ardia uma chama que nunca apaga,              

            Presença divina, mistério e fervor,             

          Que o pai para o filho no lar consagra.           

            Não era só cinza, fagulha ou calor,             

         Era a voz dos avós sob o chão sepultados,          

           A força da linhagem, o pilar fundador,           

          De impérios e deuses no tempo forjados.           

           Alexandre partiu sob o manto do fogo,            

         Espalhando a faísca por todo o horizonte,          

            Da Grécia ao Egito, no cósmico jogo,            

           A cultura ocidental bebeu dessa fonte.           

            Mas a chama do lar revelou-se maior,            

           Penetrou os segredos da vasta matéria,           

           Onde o átomo oculta um vazio ao redor,           

          E a ilusão dos sentidos se faz efêmera.           

           O mundo é holograma, matriz desenhada,           

             Código e pulso na vasta expansão,              

            A alma é a luz na caverna trancada,             

            Que busca além do véu a libertação.             

          Pois o fogo do mito e a ciência moderna           

           Lecionam a mesma lição transcendental:           

         A matéria se esvaia, mas a alma é eterna,          

             Consciência viva no fogo imortal.              

Vencendo a Entropia

O Arquivo do Tempo

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=xAVLiISuMqE

 

 

A Natureza é Viva


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