O Fogo que Não se Apaga
Houve um tempo em que os homens
guardavam o fogo como quem guarda um nome,
uma lembrança,
ou a voz dos que partiram.
No centro da casa,
ardia uma pequena estrela terrestre,
e nela viviam os pais,
os avós,
as histórias,
os sonhos que atravessavam gerações.
O fogo não era apenas calor.
Era presença.
Era a certeza de que a vida
não começa em nós
e não termina em nós.
Ao redor dessa chama
nasceram famílias,
cidades,
reinos,
filosofias,
e o desejo humano
de compreender o céu e a terra.
Alexandre levou espadas,
mas também levou ideias.
E os antigos espalharam pelo mundo
uma pergunta que ainda queima:
Quem somos nós
dentro deste imenso mistério?
As formigas escondem impérios sob a terra.
Os oceanos guardam criaturas sem nome.
As estrelas silenciam respostas
que ainda não aprendemos a ouvir.
E o homem,
pequeno diante do infinito,
continua observando,
estudando,
errando,
recomeçando.
A ciência acende lanternas.
A filosofia abre caminhos.
A fé aponta horizontes.
Nenhuma delas basta sozinha;
mas juntas
formam uma fogueira
contra a escuridão da ignorância.
Talvez o universo seja um espelho.
Talvez seja um sonho.
Talvez seja um vasto oceano de possibilidades
onde a consciência navega
em busca de si mesma.
Mas há algo que permanece,
desde as primeiras casas gregas
até os dias das máquinas e dos satélites:
A necessidade de manter acesa
uma chama interior.
Porque o caos sopra ventos,
o tempo desgasta pedras,
e os homens se perdem em distrações.
Mas aquele que conserva o fogo
lembra-se dos que vieram antes,
estende a mão aos que caminham ao lado
e prepara a luz
para aqueles que ainda virão.
E enquanto existir uma única chama
protegida do esquecimento,
a humanidade
não estará perdida.

O FOGO ANCESTRAL E O PULSO DA CONSCIÊNCIA
Nas lareiras antigas da Hélade em flor,
Ardia uma chama que nunca apaga,
Presença divina, mistério e fervor,
Que o pai para o filho no lar consagra.
Não era só cinza, fagulha ou calor,
Era a voz dos avós sob o chão sepultados,
A força da linhagem, o pilar fundador,
De impérios e deuses no tempo forjados.
Alexandre partiu sob o manto do fogo,
Espalhando a faísca por todo o horizonte,
Da Grécia ao Egito, no cósmico jogo,
A cultura ocidental bebeu dessa fonte.
Mas a chama do lar revelou-se maior,
Penetrou os segredos da vasta matéria,
Onde o átomo oculta um vazio ao redor,
E a ilusão dos sentidos se faz efêmera.
O mundo é holograma, matriz desenhada,
Código e pulso na vasta expansão,
A alma é a luz na caverna trancada,
Que busca além do véu a libertação.
Pois o fogo do mito e a ciência moderna
Lecionam a mesma lição transcendental:
A matéria se esvaia, mas a alma é eterna,
Consciência viva no fogo imortal.
”https://www.youtube.com/watch?v=xAVLiISuMqE
Atemporal! Lpn
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